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sábado, 19 de novembro de 2016

Ad nauseam

   Sem prejuízo das preocupações que possa ter sobre este acontecimento, não deixo de ver como inacreditável (e até mesmo inaceitável) a quantidade de artigos de opinião que têm sido publicados nos últimos dias sobre a eleição inesperada de Donald Trump para a presidência dos EUA.

   Todas as agências noticiosas parecem preocupadas em justificá-la por mor de razões nacionalistas e protecionistas a que juntam q.b. as que se possam prender com insatisfações populares, numa demonstração gritante da sua relutância extrema em aceitarem a sua escabrosa falta de capacidade de previsão e análise no que a este assunto diz respeito.

   De tanto ouvir justificações, análises e opiniões de supostos especialistas, impantes dos seus dotes  de patologistas aplicados ao desgraçado cadáver das esperanças Democratas, já tenho a estranha e incongruente sensação de que todos os males do Mundo advêm, advirão e se resumem a esta vitória supreendente (ou nem tanto) do inverosímil candidato Republicano.

   No entretanto os males internos, os males da Nação são, com evidente vantagem para alguns, relegados para um distante plano na linha de visão dos cidadãos portugueses.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A prestidigitação dos números




   
   O Mundo de uns é um Universo de prestidigitadores matemáticos que nos castigam com um bombardeamento constante de percentagens, de valores absolutos, relativos, comparações com períodos homólogos, crescimentos acumulados, reduções efectivas em relação a realidades inexistentes tecidas com o fio diáfono do imortal conto infantil da nossa infância. 

    Mau grado a torpez evidente dos argumentos, eles conseguem arrastar consigo legiões de crentes inabaláveis convertidos em defensores de verdades dogmáticas assentes na fragilidade etérea de mil frases artificiosas, nem verdades, nem mentiras.
    
   E com esta ferramenta vil se molda uma opinião pública, acéfala, comatosa, tornada ordinária pela falta de vontade de pensar instilada pela comodidade e facilidade sórdida de mil ideias mastigadas, vulgarizadas, propaladas até à exaustão, prontas a consumir, mas que nos lábios de mil oráculos, duvidosos mas admirados, adquirem matizes de verdade e solidez  que lhes permite transmutarem-se numa perniciosa e capciosa forma de destruição da mais alta liberdade do pensamento individual.