Há uma amiga minha
que diz que devemos protestar contra o que é injusto. Protestar
sempre! Mesmo que saibamos que o nosso protesto não tem força, que
é um simples fio de voz perdido no meio duma cascatata tronitruante
doutras. É injusto? Proteste-se, proteste-se sempre!
Argumentei com ela
que era um esforço baldado, inútil. Um desperdício de forças que
podiam ser usadas para outras coisas. Apresentei uma míriade de
argumentos com a convicção tola de quem acha que tem a razão nas
mãos.
Mas sabem que mais
? Ela tem razão! Não há melhor uso para as nossas forças do que
lutarmos pelo que é justo não só para nós como para todos os que
nos rodeiam.
Mesmo que a nossa
voz não se consiga ouvir para além dum mísero par de passos pode
ser que tenhamos a sorte de conseguirmos que chegue aos ouvidos
certos, aos ouvidos de alguém com coragem suficiente para juntar a
voz dele à nossa. E se isso acontecer pode ser que mais alguém como
nós a oiça, que mais alguém, tão singelo como nós, tenha a
coragem de nos bendizer com a ajuda da voz dele. E aí as nossas
vozes ouvir-se-ão à distância de cinco passos, de mais três
pessoas, de 10 passos, de 20 pessoas, numa cavalgada exponencial e
imparável.
E também pode ser
que nada disso aconteça, mas só poderemos estar certos disso se
tentarmos, se tivermos a coragem de tentar. Antes disso não temos o
direito de dizer que é inúti, não temos o direito de baixar os
braços e acima de tudo não temos o direito de tentar dissuadir os
outros.
A minha amiga, de quem discordo amiúde e que nunca se zanga comigo por isso, tem razão. As minhas desculpas sentidas!