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domingo, 5 de março de 2017

Protesto


    Há uma amiga minha que diz que devemos protestar contra o que é injusto. Protestar sempre! Mesmo que saibamos que o nosso protesto não tem força, que é um simples fio de voz perdido no meio duma cascatata tronitruante doutras. É injusto? Proteste-se, proteste-se sempre!

    Argumentei com ela que era um esforço baldado, inútil. Um desperdício de forças que podiam ser usadas para outras coisas. Apresentei uma míriade de argumentos com a convicção tola de quem acha que tem a razão nas mãos.

   Mas sabem que mais ? Ela tem razão! Não há melhor uso para as nossas forças do que lutarmos pelo que é justo não só para nós como para todos os que nos rodeiam.

    Mesmo que a nossa voz não se consiga ouvir para além dum mísero par de passos pode ser que tenhamos a sorte de conseguirmos que chegue aos ouvidos certos, aos ouvidos de alguém com coragem suficiente para juntar a voz dele à nossa. E se isso acontecer pode ser que mais alguém como nós a oiça, que mais alguém, tão singelo como nós, tenha a coragem de nos bendizer com a ajuda da voz dele. E aí as nossas vozes ouvir-se-ão à distância de cinco passos, de mais três pessoas, de 10 passos, de 20 pessoas, numa cavalgada exponencial e imparável.

    E também pode ser que nada disso aconteça, mas só poderemos estar certos disso se tentarmos, se tivermos a coragem de tentar. Antes disso não temos o direito de dizer que é inúti, não temos o direito de baixar os braços e acima de tudo não temos o direito de tentar dissuadir os outros.

    A minha amiga, de quem discordo amiúde e que nunca se zanga comigo por isso, tem razão. As minhas desculpas sentidas!