Mau
grado a minha condição de mau católico não consigo deixar de estabelecer um forte
paralelismo forte entre a doutrina cristã e a democracia. Bem vistas as coisas
ambas se baseiam no princípio simples do livre-arbítrio, na crença enraizada de
que um Homem tem que ser responsável e responsabilizado pelas livres escolhas que
faz.
Ora o
regime democrático impõe, por definição, a liberdade individual de escolha. E é
precisamente nesta que radica o seu enorme potencial, nessa crença
simples e porventura ingénua de que existirão sempre mais homens bons capazes
de decidir em prol do bem comum do que aqueles cujo fito maior seja decidir,
pelo contrário, em prol do que lhe seja mais proveitoso, garantindo-se pela
simples força dos números de que a vontade dos primeiros se sobreponha sempre à
dos últimos.
Ora
nada há nada mais contrário a este princípio do que a chamada “disciplina de
voto”, que retira ao indivíduo o seu livre-arbítrio condicionando o seu voto à
vontade da oligarquia do partido em que milite. Assim o que deveria a vontade
expressa de muitos fica, logo à partida, condicionada pela vontade expressa e
as mais das vezes obscura duns poucos. E isto, para mim, é a definição de
ditadura, os verdadeiros antípodas do regime em que nos dizem vivermos.
Meu Caro Frederico,
ResponderEliminarcomo o Livre Arbítrio, para a Santa Madre Igreja surge a propósito da escolha entre o Bem e o Mal e, na Democracia, a pretensa opção é sempre por um mal, tenho como líquido um erro filológico na hipótese de origem do vocábulo: Democracia não proviria de Demos (povo), mas do Demo (Demónio). Pelo que só um paralelo existirá na situação que abordas, ambos querem transformar os humanos num rebanho. As ovelhas de Deus, por um lado, a carneirada a pastar em S. Bento, pelo outro. Os partidos são a suprema indignidade do Homem e o rito da disciplina de voto o seu profeta.
Abraço
Lamento ter que te informar de que a abordagem etimológica que propões ser a que o senhor meu pai defendeu, contra tudo e todos, até ao dia em que deixou de o poder fazer dum todo. Mas concordo, pelo menos em face ao actual estado das coisas.
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